quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Definir sem definição,


Talvez seja definido, como se de uma paisagem traçada se tratasse. Como se as sombras fossem mais que meros detalhes, como se este caminho que percorro, de um corredor não se tratasse. Tudo é um trajecto, curto, ou longo, passa a indiferente. Indiferença essa causada pela angústia do andar, e a força do respirar. Inalar o ar às vezes torna-se tão difícil, quando algo nos está a encravar a garganta. Aquela voz que não pode ser ouvida, tem de ser contida pelos limites, aqueles limitam a minha existência. Aquilo que é derivado da natureza e fundamental para nos sustentar o bombardeamento cardíaco, já esteve nas tuas mãos, e esteve ligado ao sangue que estabiliza os batimentos do orgão que tens do teu lado esquerdo, isso que chamam de coração. Detive isso, senti, aguentou-me todos os dias, até a este momento em que a dificuldade é tanta, não consigo andar. Tornou-se um vício, apenas não me faz tremer porque está aceso algures, mas os algures cada vez mais se distanciam neste corredor. Dizer que existo, sem isto, é a mesma coisa que dizer que respiro com vontade de viver longe, que é a derradeira mentira deste conjunto de palavras.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sou um ser


Natural, é para o ser humano, ser egoísta, sendo ainda mais, ser esquecido. Quantas pessoas antecederam outras, sendo as anteriores supostamente inexistentes? Quantas pessoas já morreram e nasceram? Não tem conta. Por vezes os vivos são os lembrados, com respiração ou não, a sua lembrança é uma benção. É como o ódio, que é apenas alimentado quando é recíproco, como o amor, que só é abandonado quando alguem parte, definitivamente. Se calhar jazes na minha memória apenas, e de um precedente inexistente não passaste.  Assim como cada detalhe, de um detalhe nada passa. Se dias e dias, multiplicados por centenas, são relembrados, apenas pelos dedos os que dias são. Serás tu um dia ou apenas um detalhe? Serei eu mais que um dia? Talvez racionalizar seja o mais sensato, mas também esta entrega que te dei de alma e corpo, não tivesse sido de todo a mais certa. Não acusando este acto de errado, mas que de seu oposto nada tem. Como a vida, que vivida tem de ser, sendo curta ou longa, mas que seu decorrer tem de ser traçado, onde na sua conclusão o que nos resta é a memória.Sinto-o agora mais que nunca, a repugnância do esquecimento, e o porquê das feridas lancetadas no meu peito.

sábado, 6 de agosto de 2011

A foz de um rio.


Talvez seja apenas dor,
 Sentimento jamais despercebido.
Algo até sonhado,
Sem ser concebido.
Um arrepio que afecta,
Afecta, cada parte de um corpo,
Inerte e perdido.
É como um mar de sonhos,
Limitado a um rio.
Dias gastos,
Embaraço já indiferente,
Para um orgulho inexistente.
Se sonhar é crime,
Um destino está já traçado,
O crime perfeito,
É aquele feito acompanhado.
Os vestígios são apagados,
Só para que o transtorno seja poupado.
É minuciosamente feito,
Calculado, fazendo jus ao executante.
A maior liberdade,
 É após o ignorar de um rasto.
O acordar no dia seguinte,
Com um passado ignorado.