domingo, 1 de março de 2015
Abismos perfilhados de vida
Verdades simplesmente abafadas,
Abismos infindáveis e sentidos,
Sentimentos em luzes apagadas,
Corações inocentemente partidos,
Desafogadamente esquecidos!
Velas atenciosamente acesas,
Em momentos de reboliço,
Amor dado, de retorno ignorado.
Quebras de energia necessária,
Tudo quando era mais preciso!
Palavras falsamente debitadas,
Em queridos ouvidos,
Desnecessariamente, incumbidos em
Sorrisos de almas aladas,
Esses, felizmente vividos!
Serás sempre adorável,
Aos olhos de quem o veja,
Dás tudo por quem não merece
Em acto, desaforadamente dedicado,
Acabando em detalhe desolado.
Deliciosamente tê-lo diante da mão,
E mesmo assim viver do predicado,
Esquecer o que é complemento,
Apagar o que é verdadeiro e amado.
Enveredar o modo de representação,
Não ver, e perscrutar um lindo olhar,
Esquecendo o que é uma acção,
Sem rigorosamente a saber valorizar.
Existe quem realmente mereça só um não!
Fingir realmente quando é verdade,
Viver envolto em pura mentira,
Perdoar ingenuamente o imperdoável,
Degustar amargamente a chacina.
Anular-se num todo valorizável!
Lembrar aquele delicioso e adorável,
Cheiro, verdadeiro, nu e puro,
Deixar arder o desenho insuportável,
De quando falsamente dizes "juro",
Ris-te e pensas que é só um insulto.
Em contexto de alegoria,
Lágrimas de dor, seriam evitáveis.
Quando ali, deveria haver recordações de alegria!
Memórias submersas, em actos inimagináveis,
Não há espaço para pessoas insuportáveis.
Amar de forma ingénua, proceder pela entrega,
Pegar assim, no contestável, fazendo-se
Vida, transfigurada, incompreensível.
Será que ela merecia ser vivida?
Há quem não mereça tal esforço impossível!
Abrir os braços num todo,
De queixo levantado e erguido,
Relembrando a nós mesmos,
Que por alguns não seremos esquecidos,
Que nunca deveremos dar-nos por vencidos!
Quando tudo aponta o contrário,
Saber lutar contra o invencível,
Baseados na esperança,
De toda uma lembrança,
Em que o mundo não está perdido!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Partículas do tempo
No silêncio espero,
Esperando por algo eterno,
Efémero na sua natureza,
Belo na sua perfeição.
Inquieto e sempre mais,
Menos longe do que espero,
Enfim, mais perto!
Estando sempre em pensamento,
Estar em profundo desejo,
De um todo mais belo!
Mais forte que nada,
Mais rápido que tudo,
Profundo, complexo!
Mantendo-se em tempo,
Revelando-se em crendo.
Veracidade cruel,
Da qual nem importância há!
Simples, despido, cru!
Tudo aquilo que não é,
Porque ou sem ele!
Será ilusão?
Ou esteve sempre diante da tua mão?!
Escapou-te pelos dedos,
Alterou-te a percepção!
Acreditas-te vivamente no nada!
Em tudo o que era dito,
Escrito, visto, dúbio, Vivo!
Existe.
Dentro, fora, como outrora!
Em tudo aquilo que iluminou a aurora!
No cair do pano,
No transformar do terreno.
Fez-se escutar em tudo o que era tempo!
Quero-te escrever,
Para que não olhes mais para trás!
Que vejas que o mundo não te perseguirá!
Tudo muda,
O vento leva tudo,
Mas nunca o tempo!
Réplicas de tudo o que ele era,
Do quanto nisso se manifesta!
Hoje é, como jamais foi!
Foi, era, mas não é percebido,
Tudo o que será!
É vida, partículas congeladas,
Vivas e estilhaçando-se no vento,
Passando pelos pés!
No raiar de todos aqueles momentos.
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