Sempre que olho para um espaço em branco, o acto de escrever surge, pelo menos assim um espaço é preenchido. Ao contrário do angustiante vazio, sentido no peito, onde tudo é extenuantemente reproduzido, de forma surreal. Parece ultrapassar as barreiras do sentido, do significado, e até do vivido. Uma pessoa pode fazer mil e uma coisas, explicar-se, através de argumentos, mas por vezes o que sente, vai para além de tudo o que se faça ou diga. Há coisas que vão para além de tudo o que é fisiológicamente explicável, acabando por ser, de longe, as mais interessantes.
Perscrutar um céu, diante de um caminho, várias vezes traçado, por vezes, é o motivo de um verdadeiro sorriso. O motivo de uma felicidade, perante um momento banal, precendente a um perfeito, que é origem de um simples abraço, ou simplesmente o calor no meio de um imenso frio. Um frio de congelar mãos, congestionar a circulação, mas que apesar desses factores, é bom ter-se em consideração o certo factor.
Aquilo que muitos entendem por normal, que se torna repetido, apenas em indivíduos diferentes, se observado pela sua singularidade, é mais que isso, é raro, genuíno. Assim como aquelas mãos sempre geladas, que nada sentem, mas que por uma persistência, levam com a tentativa de quentes ficarem, quando na verdade, é em vão.
Mas assim como muito do que se faz não traz resultado, por vezes o acto de fazer traz mais resultado do que o esperado. Traz-nos um sorriso, um olhar, algo que de tão simples parece, mas que mais complexo e belo não poderia ser.. Assim faz-se uma pequena felicidade, que por vezes pode trazer algo muito maior, mas que não aconteça, pela espera, aquela que de nada aguarda, em troca, mas sim, natural e inconscientemente, retribuída.
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