O tempo passa, os minutos voam, e esfuma-se aquilo que nunca
deveria ter sido apagado. A maneira como trocávamos olhares, a maneira como
tudo significava algo, por mais que para os outros nada fosse. Aquela pessoa
com quem se pode contar, alguém que a vida nunca deveria ter levado, não em
sentido físico, mas no sentido de que a sensação evaporou-se.
Cada vez mais penso que não se pode contar com algo. Penso
que assim será porque simplesmente tem que ser. Foco-me no vento, o condutor
das marés, o condutor do destino. Servo de algo incontrolável. Como se de um
simples animal se tratasse. Parece mais do que é, nada é, porque as coisas,
nada são, a não ser que lhes atribuamos significado.
Passei todos os minutos conscientes atribuindo, lutando por
algo que merecia a causa. E continuo a lutar, continuo por um mundo melhor, com
a minha simples insignificância num mar de marinheiros, que apenas moléculas
são, deste infindável Universo.
Talvez tudo fosse mais fácil se fechássemos os olhos, esperando que o acordar fosse mais leve, que os primeiros suspiros saíssem com um pouco mais de facilidade. Que a vida nos sorrisse ao acordar, sem ser pela simples vida, que pelo menos algo é, de gratidão muito poderíamos falar, mas de certa e pequena tristeza, que de encurtamentos ficará, tanto que pior que a tristeza será a sua importância quando os nossos olhos abrirem.
O Respirar terá que ser ainda melhor, terá de ser apenas mais uma gota, para que a escassez que biliões ressentem, apenas não passem de gotas de um enorme oceano. Parece que mais do menos, consegue ser algo mais, quando pensamos bem.
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