No início de uma miragem não passavas, imaginava-te, recordava-te mesmo sem algo para me lembrar ter. Cada vez mais penso que tudo isto de real nada tem, porque como tantas vezes me apanho, envolto nos meus pensamentos, no grau de sentido que o que me rodeia detém, e nos porquês de ter algo para pensar. Por mais complicado que seja dar respostas, por mais trabalho que dê pensar nisso, ou uma dor aguda se instale, eu tento. Tenho que tentar porque estou neste mundo por alguma, ou por várias razões, aqui vim parar, e tenho de desempenhar, um papel, o meu.
Agora acho que posso fazê-lo, mais uma vez, surge uma imagem, mas desta vez é diferente… Consigo alcançá-la, consigo idolatrá-la como nunca consegui, transfigurar as palavras em actos, e poder ter uma noite limpa e sossegada, adormecendo com as recordações que finalmente tenho. Percorro um caminho várias vezes, um caminho que me dá gosto, e que não penso abdicar em momento algum, o caminho que me leva a ti, e assim que volto, volto com um sorriso estampado, que só tu me podes proporcionar.
Agora mais que nunca, após tanto tempo, com outros olhos te vejo, e da mesma maneira que te vejo, sorrio, seja por dentro, mas por vezes, até por fora, como nunca antes consegui. Sei bem que por ti, percorria uma imensidão de caminhos, e atravessaria montanhas de obstáculos, só para poder lembrar-te, mais uma vez. Da mesma maneira que concluo isto, posso também fazê-lo, dizendo que enquadras-te na minha realidade, como a peça que sempre faltou, e que por mais perto que estivesse, não a tive. Agora que a completude sinto, só pretendo que aquilo que me faltou, seja aquilo que nunca te falte, enquanto eu respirar.
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